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QUESTÕES FREQUENTES
1. O que é o Yoga? 2. Existe um só tipo de Yoga ou vários tipos? 3. As técnicas de Yoga são denominadas em que língua? 4. É verdade que o Yoga é um método muito antigo? 5. O Yoga é uma espécie de religião? 6. O Yoga é uma espécie de ginástica? 7. Há alguma incompatibilidade entre o Yoga e a ginástica ou outros desportos? 8. O Yoga é uma espécie de terapia? 9. Mas o Yoga não tem efeitos terapêuticos? 10. O Yoga serve principalmente para descontrair e relaxar? 12. E as crianças? 13. Há contra-indicações para grávidas? 14. Para praticar Yoga é preciso ser vegetariano? 15. O Yoga desaconselha o consumo de alcóol, tabaco e drogas? 16. Pode praticar-se após as refeições? 17. Pode tomar-se banho depois da prática? 18. Quais são a missão e os objectivos do CEY?
Muitos estudiosos concordam que definir o
Yoga é uma tarefa difícil. Não só
pelas diferenças que existem nesta matéria entre as várias escolas de Yoga,
mas também pela própria natureza do assunto. Segue-se,
assim, uma modesta tentativa de definir o Yoga: De uma forma muito sintética, pode afirmar-se que o Yoga é uma filosofia, de natureza prática, que conduz a um maior bem-estar e ao auto-conhecimento. Embora pacífica, esta definição é bastante incompleta e pouco conclusiva. Assim, pode acrescentar-se que o Yoga é comummente definido como uma metodologia cuja meta é o samádhi. Todavia, aqui, o leigo na matéria depara-se com um problema – saber o que é o samádhi. Trata-se de um termo sânscrito, sem equivalente nas línguas modernas. Considera-se o samádhi como um estado de consciência que não é possível definir por palavras, pois trata-se de uma experiência que está para além do pensamento racional-dedutivo; as traduções mais aproximadas para samádhi são hiperconsciência, extâse, estado de graça, identificação com o Absoluto. Percebe-se, assim, o facto de ser bastante comum traduzir, e mesmo definir, o termo Yoga, como União. União consigo mesmo, com os demais seres e, por fim, com a consciência última. Entende-se, pois, que o samádhi será essa mesma experiência de união, ou seja de identificação com o Absoluto. Por fim, é de referir o conceito de disciplina. Frequentemente, o Yoga também é definido ou traduzido como disciplina. Este conceito pode ser abordado sob diferentes perspectivas. Primeiramente, sendo o Yoga uma metodologia, implica que seja praticado com regularidade, com envolvimento e compromisso. Assim, o Yoga trabalha a auto-superação ( tapas), fortalecendo a força de vontade e a determinação, ajudando a ultrapassar a preguiça e a apatia, que são sérios obstáculos à prática quotidiana e à evolução interior. Por outro lado, o termo disciplina também pode, e deve, ser entendido enquanto disciplina da estrutura corpo-mente. Assim, o yogui realizado é aquela pessoa que sabe administrar o seu corpo, emoções e pensamentos, de modo a não serem estes que a dominam, mas sim ela que os orienta. Deste modo, a disciplina é a alavanca que ao longo do caminho do Yoga, permite superar os hábitos indesejáveis e os padrões de comportamento nocivos, que, além de nos levarem a experimentar mais e mais sofrimento, impedem a evolução interior. Cumpre ainda sublinhar que a definição do Yoga e a maneira como este é entendido, aplicado e vivido, depende da orientação de cada escola. Assim, apesar da similitude, é natural encontrar-se algumas diferenças de definição e de entendimento de escola para escola.
2.
Existe um só tipo de Yoga ou vários tipos? Existem
vários tipos, ou ramos, de Yoga. Estes subdividem-se em várias escolas. E, em
cada escola podem encontrar-se diferentes linhagens. De
facto, embora todos os tipos de Yoga tenham uma meta comum – a libertação
interior – não se pode
considerar o Yoga como um todo uniforme. Os caminhos são múltiplos e variam
bastante entre si, não só no que toca às técnicas utilizadas, como também
no que respeita a princípios teóricos e metafísicos. 3.
As técnicas de Yoga são denominadas em que língua? As
técnicas de Yoga, bem como os seus conceitos, são denominadas em sânscrito. O
sânscrito, que é a língua clássica da Índia antiga, influenciou grande
parte dos idiomas ocidentais, sendo hoje uma língua morta. O alfabeto original
do sânscrito é o dêvanágarí, que significa “escrita dos deuses”. 4.
É verdade que o Yoga é um método muito antigo? Sim,
é verdade. Os registos arqueológicos que testemunham a prática do Yoga datam
de há, pelo menos, 5.000 anos. Crê-se que o Yoga nasceu no vale do Indo e que
se espalhou por todo o subcontinente indiano durante os milénios seguintes.
5.
O Yoga é uma espécie de religião? Não.
Embora, na India, tenha estado frequentemente associado a movimentos religiosos,
o Yoga não é uma religião, mas sim uma filosofia teórico-prática, dotada,
na maior parte dos tipos de Yoga, de uma forte componente técnica. Entende-se,
pois, que o Yoga é como que uma ferramenta ou um instrumento a ser aplicado,
experimentado e vivenciado, individualmente, por cada praticante. Ao encaminhar
o praticante para a meta do Yoga – o auto-conhecimento e a libertação
interior – esta filosofia prática trabalha todos os aspectos do seu ser – físico,
energético, emocional, mental, intuitivo, etc..., - proporcionando estados de
maior interiorização e contemplação. Devido às características atrás
apontadas, na India, o Yoga tem
sido largamente utilizado por vários credos religiosos como um precioso
instrumento técnico auxiliar. Há,
ainda, a acrescentar que várias concepções metafísicas de algumas escolas de
Yoga foram importadas por credos religiosos hindus, nomeadamente pelos de cariz
mais popular. Por outro lado, é de referir que alguns conceitos de natureza
religioso-cultural, próprios da civilização hindu, encontram-se presentes na
estrutura de pensamento de algumas escolas de Yoga. Assim,
pode considerar-se que na cultura hindu há um espaço de intersecção entre Yoga
e religião, embora trate-se de duas realidades completamente distintas. Esta
intersecção não ocorre na civilização ocidental, na qual a prática de Yoga
encontra-se predominantemente voltada para a manutenção da forma física e
psíquica. 6.
O Yoga é uma espécie de ginástica? Não.
Na verdade, entre as mais variadas técnicas, o Yoga possui exercícios
respiratórios e posições psico-físicas, conhecidas por ásanas. Mas, isso não
faz do Yoga uma ginástica. Primeiramente,
é de sublinhar, como já se referiu mais acima, que o Yoga é uma filosofia teórico-prática,
uma filosofia de vida, a ser aplicada, individualmente, por cada praticante.
Neste âmbito, é também de referir que as escolas de Yoga propoem, na sua
estrutura metafísica, não só cosmogonias, mas também teorias epistemológicas e ontológicas. No
que respeita especificamente à área técnica, os exercícios respiratórios
- que têm como finalidade um trabalho subtil a nível energético e
emocional – e as posições físicas – que têm uma componente psico-energética
fundamental – são apenas uma pequena parte de um vasto leque de metodologias
de entre as quais se destacam os mantras ( vocalização de sons), as mudrás (linguagem gestual), exercícios de descontracção, técnicas de reprogramação
e canalização da energia emocional, cultivo de pensamentos puros e abstractos,
exercícios de concentração destinados a conduzir a estados de meditação,
etc ... Todos
os factores atrás apontados são uma prova evidente de que o Yoga e a Educação
Física/ Ginástica são realidades absolutamente distintas. 7.
Há alguma incompatibilidade entre o Yoga e a ginástica ou outros
desportos? Não
há qualquer incompatibilidade pois tratam-se de realidades completamente
distintas, que não chocam entre si. Entretanto,
há alguns factores a ter em atenção: -
se possível, deve fazer-se um intervalo, de pelo menos meia hora, entre
a prática desportiva e a prática de Yoga; -
a maior parte das práticas desportivas reduzem a flexibilidade
proporcionada pelos ásanas do Yoga. Nesse caso, se o praticante pretende
manter a flexibilidade ganha na prática de Yoga, deve executar uma sessão de
alongamentos adequados, imediatamente após a prática desportiva.
8.
O Yoga é uma espécie de terapia? Não,
o Yoga não é uma terapia, mas sim, uma filosofia. Tal conclusão deriva das
características próprias do Yoga, descritas nas respostas dadas acima. 9.
Mas o Yoga não tem efeitos terapêuticos? Trata-se
de uma questão pertinente, pois, muitas vezes, especialmente ao nível dos
meios de comunicação, o Yoga é referido a propósito dos seus efeitos terapêuticos.
Cumpre, pois, esclarecer esta questão. Como
já foi referido acima, o Yoga visa preparar o praticante para que este possa
atingir a meta da libertação interior. Assim, propõe o recurso a técnicas
que trabalham os diferentes níveis do ser humano, de modo a fortalecer a
estrutura do organismo, a nível físico, energético, emocional, mental,
etc..., como preparação de todo o ser para um nível de compreensão e de
energia mais elevado, subtil e abarcante. Naturalmente, estas técnicas
fortalecem a saúde do praticante, aumentando o seu rendimento a todos os níveis
e proporcionando maior expectativa de vida. Assim, é comum referir-se o Yoga
como um precioso auxiliar, ao lidar com problemas tais como: gestão do stress,
hipertensão arterial, dores de cabeça, asma, desvios de coluna, etc... Face à
meta do Yoga tais benefícios são considerados, pelos yoguis, apenas como
efeitos secundários, normais e benéficos, resultantes da prática de Yoga. Assim,
considera-se que, embora o Yoga tenha efeitos terapêuticos, não se trata de
uma terapia, nem foi concebido com tal propósito. Entretanto,
nada impede que terapeutas credenciados utilizem as técnicas de Yoga nas suas
práticas terapêuticas. Nesse caso, não estaremos perante uma prática de Yoga,
mas sim perante uma terapia baseada em técnicas de Yoga. Tal método também
é vulgarmente conhecido por yogaterapia. 10.
O Yoga serve principalmente para descontrair e relaxar? Sendo
a meta do Yoga o auto-conhecimento e a libertação interior, naturalmente não
se pode afirmar que o Yoga serve para descontrair e relaxar.
Aliás, um dos aspectos mais trabalhados pelo Yoga é o incremento da energia
do praticante. De
entre as técnicas que o Yoga propõe, existem, também, técnicas
de descontracção, que representam apenas uma pequena parte deste vastíssimo método. Na
sociedade actual, marcada pelo excesso de stress, é frequente as pessoas
encontrarem-se, simultaneamente, agitadas e carentes de energia. O Yoga, ao
providenciar, através de variadissimas técnicas, maior capacidade para se
auto-centrar, aprendendo a resistir melhor às interferências exteriores, e ao
ensinar a acumular mais energia, permite que o praticante sinta-se mais
tranquilo, e ao mesmo tempo com maior força interior.
"Raja Tears" William J. D. Doran®
Qualquer
pessoa, com 16 anos ou mais, pode praticar Yoga. Bébés,
crianças e jovens até aos 15 anos podem executar práticas adaptadas às várias
fases de desenvolvimento em que se encontram. Neste
caso não estaremos perante Yoga propriamente dito. Será, antes, um pré-Yoga
ou práticas de desenvolvimento baseadas no Yoga. 13.
Há contra-indicações para grávidas? Regra
geral, a prática de Yoga durante a gravidez é benéfica, mas há alguns
exercícios que são contra-indicados. Neste
caso é importante saber se a grávida já praticava
yoga antes da gravidez. Se
já praticava antes da gravidez, dependerá do seu grau de adiantamento e da
fase da gravidez, as técnicas e exercícios que poderá ou não executar. Se
não praticava antes da gravidez, durante os primeiros três meses, é preciso
ter uma atenção especial pois há uma série de exercícios que são contra-indicados durante essa fase. No restante tempo haverá apenas alguns exercícios
que não poderá executar. Naturalmente,
estas observações não se aplicam a gravidezes de risco ou com complicações
de saúde da mãe e/ou do feto. Tais casos necessitam de uma atenção mais
personalizada e acompanhamento médico adequado. Entretanto,
sublinhe-se que existem práticas, baseadas em técnicas de Yoga, dirigidas
especialmente a grávidas, que visam, nomeadamente, ajudar a futura mãe a
suportar melhor os incómodos naturais da gravidez, preparar o seu organismo
para o parto, bem como fortalecer os laços subtis, mais profundos, entre mãe e
filho.
14.
Para praticar Yoga é preciso ser vegetariano? Não
necessariamente.
O
Yoga, embora não exija, recomenda o sistema alimentar vulgarmente conhecido por regime
vegetariano. Primeiramente,
cumpre sublinhar que este é um assunto do foro pessoal. Cabe a cada praticante,
na sua liberdade, decidir sobre a sua alimentação. Assim, não se exige, para
a prática do Yoga, que o praticante siga o regime vegetariano. Entretanto, a recomendação
desse regime alimentar justifica-se, por se considerar que a alimentação vegetariana
é a mais indicada para a prática do método. Da mesma forma, as várias
modalidades de desporto e determinadas profissões têm um tipo de alimentação
especialmente recomendada. Entretanto,
é de não confundir o regime vegetariano com o regime macrobiótico, sistema
este de origem japonesa, que inclui o consumo de peixe, a par de outras
recomendações dietéticas razoavelmente exigentes. Sublinha-se, por fim, que para práticas de Yoga mais avançadas ou para retiros e trabalhos mais profundos, é requerida a observância do regime vegetariano. 15.
O Yoga desaconselha o consumo de alcóol, tabaco e drogas? Sim,
desaconselha. Entende-se
que o consumo de tais produtos é um factor que intoxica o organismo e diminui a
lucidez. No
que respeita especificamente às drogas, quem as tenha consumido regularmente, não
deve praticar técnicas avançadas de Yoga. Tal prática iria potencializar as
sequelas deixadas no cérebro, aquando do consumo, o que poderia vir a
desencadear problemas do foro psiquiátrico.
Por
fim, a fechar esta resposta, sublinha-se que, ao mergulhar em uma prática e vivência
sérias do Yoga, de forma muito natural, e sem necessidade de qualquer tipo de
pressão, o praticante aprende a ouvir o seu organismo e o seu interior,
preciosos indicadores, que o ajudarão a fazer as melhores opções no que
respeita ao seu estilo de vida.
16.
Pode praticar-se após as refeições? Após
as refeições não se deve praticar. Conforme
o tipo de refeição deve aguardar-se entre uma hora e meia a quatro horas. Uma
refeição leve, constituída por uma peça de fruta ou um iogurte, pode, por
uma vez ou outra, ser tomada trinta minutos antes da prática. 17.
Pode tomar-se banho depois da prática? Deve
aguardar-se, pelo menos, meia hora entre a prática de Yoga e o banho. O
ideal é tomar banho meia hora antes da prática e dar o máximo intervalo possível
entre a prática de Yoga e o banho seguinte. 18.
Quais são a missão e os objectivos do CEY? O
CEY - Centro de Estudos de Yoga - Associação, constituído em 2005, pretende
congregar os esforços dos seus associados – professores e praticantes - para
o aprofundamento do estudo e da prática do Yoga. O CEY dedica-se à divulgação e preservação dos ensinamentos tradicionais do Yoga, nas suas diferentes vertentes – prática, filosófica e histórica -, bem como à sua investigação e aplicação contemporâneas. A principal missão do CEY consiste na criação das condições adequadas para que os seus associados estudem e pratiquem os ensinamentos tradicionais e autênticos do Yoga, de modo a desenvolverem a sua prática pessoal, de forma mais autêntica e esclarecida.
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